SÃO PAULO - Como posts de 140 caracteres podem mudar a forma de viver e trabalhar (já mudaram pelo menos a maneira de perder tempo!).
Bastou o Twitter ficar fora do ar durante mais de 12 horas no dia 6 de agosto para que usuários do mundo todo reclamassem de certa síndrome de abstinência. Não foi apenas uma baleiada — situação comum no Twitter, quando uma baleia exibida na tela mostra que o site está acima da capacidade —, mas um ataque de negação de serviço. Página não encontrada: nada de mandar mensagens, compartilhar links ou destilar altas doses de veneno em até 140 caracteres. O microblog se calou.
O Twitter vem dividindo a humanidade internética basicamente em três grupos. Há os adeptos vorazes, os que estão observando para saber qual é a sua utilidade e os céticos. Em qualquer das tribos onde você esteja, é impossível ignorar o crescimento exponencial de usuários no último ano. O salto foi de aproximadamente 1 600% entre julho de 2008 e julho de 2009, quando o serviço chegou a 51,6 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da consultoria com- Score. Essas estatísticas não refletem totalmente a realidade. Elas contam apenas quem entra direto pelo browser e desprezam os usuários avançados, que usam mais os programas de desktop ou de celular. “O Twitter conseguiu um uso e um alcance que nenhuma outra rede teve antes”, afirma Pollyana Ferrari, doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e professora da PUC-SP.
No Brasil, o Twitter foi acessado por 23% dos internautas que navegam em casa ou no trabalho em julho, o que representa 8,3 milhões de pessoas, de acordo com o Ibope Nielsen Online. É um aumento de 66% em comparação com junho. A proporção de usuários em relação ao total de internautas é maior aqui do que em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de visitantes do Twitter foi maior (21,5 milhões de pessoas em julho), mas representou um porcentual menor em relação ao todo, com 11%.
Os brasileiros dedicam mais tempo ao Twitter do que usuários de outros países. A permanência nacional média é de 41,5 minutos por mês, enquanto os americanos ficam 37 minutos e os britânicos, 25. Somos também os mais curiosos: abrimos em média 103 páginas diferentes por mês. O Brasil tem a maior taxa de intensidade de uso, com sete visitas por pessoa por mês, enquanto nos Estados Unidos a média é de seis, no Reino Unido é de cinco, na Espanha, na França e na Alemanha é de quatro, e no Japão é de 3,5. “O Japão ignora o Twitter”, diz José Calazans, analista de mídia do Ibope Nielsen Online. “Só 2,1% das pessoas que acessam a internet usam o serviço. A maior barreira é o idioma”, afirma.
A instantaneidade do site tornou tudo mais veloz e conciso, no limite dos 140 caracteres. “Há três coisas que as pessoas gostam de fazer na internet: conversar, relacionar-se com os outros e acessar informações. Todas elas exigem deslocamento para determinadas ferramentas, mas no Twitter você pode fazer tudo junto, numa hora vaga”, afirma Juliano Spyer, que coordena as mídias sociais da agência Talk. Ele acaba de escrever e lançar na web o livro Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu numa mesa de bar). São milhões de vozes disseminando novidades, informações relevantes, opiniões, mas também inutilidades. Diante de tanto barulho, o que você pode ganhar de fato usando o Twitter?
Fonte: Info Online
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